Vitor Pirralho e Unidade - Devoração Crítica do Legado Universal (lançamento) [2008]

qua, 10/12/2008 - 18:54 — cinco
Ano: 
2008
Gravadora: 
Independente
Audio BitRate: 
320KB/s

Aliando o conceito desta comunidade à boa música livre, Vitor Pirralho - ganhador do Prêmio Pixinguinha (AL) 2008 - e Som Barato lançam o álbum Devoração Crítica do Legado Universal. E já que a devoração é crítica e o legado universal, bom apetite!

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União Não Influenciada Demagogicamente Antropofagia Determina o Estilo (U.N.I.D.A.D.E.)

“Só a antropofagia nos une”. Esse é um dos princípios do Manifesto da Antropofagia, elaborado pelo escritor Oswald de Andrade.

Antropofagia: Ritual Indígena que consiste no canibalismo; devorar a carne do inimigo absorvendo suas virtudes e, dessa forma, tornando-se mais forte.

Antropofagia (cultural): Ritual artístico (música, literatura, pintura, dança, teatro, etc). Que consiste no canibalismo; devorar culturas – independente de suas nacionalidades – absorvendo suas virtudes e, dessa forma, tornando-se mais na forte na criação da própria cultura.

Só a antropofagia nos une, mas tal união não pode ser demagógica, é necessário fazer uso do filtro – selecionar o que vai ser devorado, apropriando o que interessa e expropriando o inútil. O título desse álbum é uma referência ao artigo do poeta e crítico literário Haroldo de Campos: “Da Razão Antropofágica: Diálogo e Diferença na Cultura Brasileira”, na qual ele define a antropofagia como a devoração crítica do legado universal.

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À corte, o corte: O Rap antropofágico de Vítor Pirralho.
Por Tainan Costa

Os que se deixarem levar pelo desejo crítico de classificar o que canta e escreve Vítor Pirralho terão pela frente uma tarefa difícil, se levarmos em conta a quantidade de referências históricas e sociais carregadas por ele. A princípio Vítor e sua banda, a Unidade, fazem Rap, assim simples e seco, ritmo e poesia ao melhor estilo da música urbana, direcionada para as alegrias e agruras que o cotidiano de quem vive nas cidades pode proporcionar, porém um olhar mais atento revelará que não se trata de música sectarizada, direcionada para a favela, unilateral ou possuidora de qualquer preconceito, como gostam os mais receosos ou os que se sentem atingidos pelas denúncias de classificar o Rap. A primeira coisa que chama atenção é a perfeita compreensão de cada palavra cantada por ele, Vítor consegue se fazer entender aos ouvidos de qualquer um. Juiz, réu, político, excluído ou privilegiado socialmente podem ouvir as crônicas e reportagens presentes nas letras. É um dos poucos rappers que não apela para o recurso fácil da gíria, mais comunicativa em alguns casos, porém capaz de selecionar ouvintes. A esta habilidade de se fazer entender somam-se uma série de referências, que vão desde a Antropofagia ao cenário urbano de Alagoas (o que alguns de nós chamamos de Universo Al), acrescenta-se ainda o aspecto de quem conhece o idioma, um estudioso da língua que é Vítor Lucas Dias Barbosa, aqui tratado sob o vulgo Pirralho, assim aos poucos quem o ouve entra em contato com aspectos do Latim na língua portuguesa, com a retomada das idéias modernistas de Oswald de Andrade, com referências literárias que atingem Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto e Jorge de Lima, até chegarmos na faceta mais crua do Rap: denúncia social, música comprometida com o meio social. Certamente Vítor Pirralho e a Unidade não servem para protagonizar comerciais de refrigerante. Estamos diante de alguém que trilha um caminho distinto no movimento Hip Hop, alguém que caminha paralelamente ao que é produzido no eixo cultural Rio-São Paulo e que justamente por isso congrega em seu som referências distintas, únicas.

A quem conhece Rap e não conhece Vítor basta dizer que seu som cruza o vértice aberto pelo brasiliense GOG, dono de letras cujas referências sociológicas são explícitas. Outro ponto é preocupação de Vítor em transportar para as letras conhecimento, verdade intelectual natural, o que em palavras mais explícitas demonstra aquilo em que Vítor acredita e que os Latinos expressaram bem na expressão Intellectus Lummnus est: inteligência é luz. Conhecer é poder. Pensar é causar, nas palavras do poeta português Fernando Pessoa.

Há ainda capacidade para deglutir influências do Rap americano e cuspí-las com marcas tipicamente brasileiras e nordestinas, tudo revestido por senso crítico para não se deixar levar pela rima fácil, comercial.

Diante do status de música comercial e ferocidade com que a mídia assimilou e deturpou o sentido original do Hip Hop, convém ouvir Vítor, convém conhecer a realidade que este cronista nos propõe, a simplicidade com a qual ele encara temas que para muitos são coisa de intelectual e que ele mastiga e regurgita na mente dos que acham que pobreza é o mesmo que falta de informação e incapacidade de olhar o mundo do ponto de vista crítico e construtivo.

mais em: http://www.myspace.com/vitorpirralho

Lista das Músicas: 

1 Prólogo Interessantíssimo 04:05
2 Vox Populi 03:46
3 Côco Style 02:29
4 Força e União 05:14
5 Made in Nordeste 03:25
6 Mistura Homogênea 01:04
7 O Palhaço 04:37
8 Na Moda 04:31
9 DiALeto 02:32
10 Wor(l)d 03:09
11 Jogo da Verdade 03:35
12 Vai que dá (pererê parará) 04:09
13 Som da Alteração 04:18
14 Maçaió 03:47

Ficha Técnica: 

gravado por pedro ivo euzébio no estúdio gravamusic (al)
assistente de gravação: tonny bass
mixado por pedro garcia / estúdio Boombox (rJ), exceto faixas 1 e 6 mixadas por pedro ivo euzébio.
masterizado por shina / flap studio (sp).
produzido por pedro ivo euzébio.
capa / direção de arte / ilustrações: caniço.


mecinho
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SONZEIRA DE PRIMEIRA!!!

GRANDE BROTHER DE INFÂNCIA,VALE A PENA CONFERIR!!!
TCHA LOMBA DA POOOOOOOOORRRA!!!!

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